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Entrevista com Milton Campelo - POINTS desenvolverá tecnologia em São Luís

 

ADALBERTO JÚNIOR
DA EQUIPE DE O IMPARCIAL

Um dos compromissos firmados pelo prefeito Tadeu Palácio em sua gestão foi a geração do desenvolvimento local, com ênfase principalmente na geração de trabalho, emprego e renda. A Prefeitura de São Luís então optou em atuar primeiramente na organização das cadeias produtivas, sobretudo na Zona Rural da cidade e nas suas atividades vocacionais, como o artesanato e o comércio informal.

Capitaneada pela primeira-dama Tati Lima Palácio (PSDB), a Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento (SEPLAN), completou dois anos de existência e em 2006 lançou o Fórum de Desenvolvimento Sustentável, com a temática “Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável de São Luís”, reunindo a sociedade civil, poder público e empresariado, partindo da discussão de sete tópicos: economia, sociedade, meio ambiente, cultura, tecnologia, captação de recursos e participação/controle social.
De acordo com secretário adjunto de Geração de Emprego, Trabalho, Renda e Desenvolvimento da Produção, o administrador Milton Campelo, foram extraídas do primeiro Fórum cerca de 200 ações indicativas para o desenvolvimento sustentável da capital.

Em 2007, o Fórum demonstrou a necessidade da elaboração do Planejamento Estratégico “São Luís +400 anos” que foi concluído em setembro. O plano visa ações nas vertentes citadas.

O Pólo de Inovação Tecnológica de São Luís (POINTS) vem também de uma demanda que surgiu no Fórum e que consta no Planejamento Estratégico, na área tecnológica. Foi sobre o POINTS que Milton Campelo conversou com nossa reportagem, explicando como funcionará esta ferramenta que une pesquisa acadêmica, comércio e possibilidades de empregos para os morados da capital.

O IMPARCIAL – O que é o Pólo de Inovação Tecnológica de São Luís (POINTS)?
MILTON CAMPELO – O Pólo é uma ferramenta que vai trabalhar em várias dimensões: na inclusão digital, na absorção de mão-de-obra, geração de trabalho e renda, atração de investimentos, além de tornar São Luís mais competitiva na área tecnológica e criar uma visão global da cidade. A área tecnológica gera produção limpa, não poluente. Participam do Pólo a Prefeitura de São Luís, através da SEPLAN; o Governo do Estado, através da Secretaria de Indústria e Comércio; o SEBRAE, a FIEMA, o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) e a FAPEMA. São seis parceiros. O Pólo já existe. Está registrado legalmente em cartório, tem CNPJ, sede social provisória (prédio ao lado da SEPLAN – Rua do Sol, 176 - Centro) e foi legalizado em setembro. Estamos nas primeiras reuniões e já conseguimos adesão de empresas de São Paulo (Sistema Ciclo e Alvo Digital), na área de tecnologia e também empresas de São Luís. Os primeiros projetos já começam a ser desenhados. Estamos na definição da participação de recursos dos parceiros. A FAPEMA abrirá um plano de apoio à incubadora de empresas. A UFMA e o CEFET estão formando profissionais que estão indo embora de São Luís. Além de nós termos dificuldade de mão-de-obra, a mão-de-obra qualificada que nós conseguimos produzir está saindo, buscando outras alternativas por falta de oportunidade.

O IMPARCIAL - O senhor pode dar um exemplo prático do funcionamento do POINTS?
MILTON CAMPELO – A UFMA tem hoje uma série de ações e pesquisas na área de software (programas de computador), na área de produção tecnológica. O Pólo vai incubar essas experiências, desenvolver e lançar no mercado de trabalho. Recife (PE) tem a experiência do Porto Digital que produz tecnologia, como já acontece em Santa Catarina. A Índia está hoje se notabilizando pela produção tecnológica. O que nós queremos através do Pólo é gerar isto: produção de software e inovação tecnológica em qualquer área da economia. Todas as empresas incubadas através do Pólo terão os seus produtos no mercado para venda. A diferença, aqui, é que a universidade produz puramente na visão acadêmica. O Pólo vai agregar pesquisa acadêmica com mercado. Vamos abrir editais e apoiar estudantes em fase de pesquisa que têm experiência em jogos eletrônicos, por exemplo. Eles vão apresentar os projetos e o Pólo vai viabilizar a produção comercial.

O IMPARCIAL - Há mais algum tipo de produção que São Luís pode se destacar?
MILTON CAMPELO - O Pólo prevê inovação tecnológica em qualquer área, seja agrícola, comercial, industrial, prestação de serviços... o que vem a ser pensado, produzido, idealizado como uma inovação e que tenha repercussão no mercado de trabalho terá apoio aqui no Pólo de Inovação Tecnológica. Esse é o objetivo.

O IMPARCIAL - Mas quais as principais experiências que podem reder mais?
MILTON CAMPELO - Pela adesão que nós temos dessas empresas de São Paulo, elas trabalham fortemente com reciclagem. Então eu acho que esse é um dos carros-chefes que apoiaremos de imediato. O aproveitamento efetivo do lixo como material de incorporação no sistema produtivo. Isso é concreto, no outro viés, nós apoiaremos tudo quanto é inovação tecnológica, identificados pela FAPEMA e pelo Governo do Estado. O importante é aproveitar a capacidade inovadora que o maranhense tem. Nós temos aqui, muito forte a economia criativa e isso não transformou-se em negócio efetivo. A cultura maranhense é muito criativa nesse sentido e está muito no aspecto puramente cultural. Não tem ainda um impacto de autonomia em termos de mercado.

O IMPARCIAL - Essas experiências podem ser voltadas também para outros estados?
MILTON CAMPELO - O POINTS tem abrangência para o Maranhão todo, mas nesse instante estamos trabalhando em parceria com o Pólo Digital de Recife porque eles estão mais avançados, no sentido até de terceirizar o que eles têm lá de encomenda tecnológica para ser desenvolvido no Maranhão. Estamos trabalhando tendo como parâmetro as experiências de Recife e Santa Catarina.

O IMPARCIAL - Como está estruturado o POINTS em termos de direção?
MILTON CAMPELO - Teremos um conselho de administração composto por representantes das seis entidades parceiras e uma diretoria executiva que é provisória, da qual sou diretor. Estamos montando a estrutura, até o final do ano devemos estar emitindo o primeiro edital para incubação de projetos tecnológicos, as pessoas vão ter acesso, vão poder se candidatar. Estamos com Prêmio de Desenvolvimento Sustentável de São Luís e o Prêmio FAPEMA. Todas as experiências premiadas e os trabalhos do Governo do Estado, através da Secretaria de Indústria e Comércio estão desenvolvendo, das cadeias produtivas terão prioridade para análise aqui no Pólo para aplicação prática. Todos terão apoio e produção em série. Às vezes você faz a pesquisa e depois vai para a gaveta, só os acadêmicos têm acesso. O Pólo vai buscar tudo isso que os maranhenses têm gerado em termos de idéias, de soluções, inovações tecnológicas para colocação no mercado de trabalho.

O IMPARCIAL - O POINTS é uma demanda do Fórum que também gerou o Planejamento Estratégico “São Luís +400 anos’. Qual a importância do Plano Estratégico para a nossa capital?
MILTON CAMPELO - O plano estratégico é uma ferramenta inédita. Não é comum o poder público desenvolver um planejamento estratégico. É mais comum na iniciativa privada. O Planejamento estratégico não resolve os problemas das cidades, mas está provado que as cidades que trabalham com o planejamento estratégico têm um desempenho melhor do que as que não têm.

 


Data: 22.10.07

Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento
Secretaria Adjunta de Geração de Emprego, Trabalho, Renda e Desenvolvimento da Produção